Trabalho numa rede de rádios de seguimento popular - mas com uma comunicação mais voltada para o público jovem - como produtor. Mas se for definir por atuação prática, sou redator. O que em rádio, dá quase no mesmo. Basicamente, então, minha função é despertar o interesse de produtos, promoções e atrações da emissora (ou rede de emissoras, no meu caso) através de textos de chamadas e spots.
E coisa de um mês tivemos uma promoção que daria como prêmio o iPad. O que parecia algo fáci. “Todo mundo quer um iPad”. Não, não é assim que a banda toca.
A ideia era usar o tablet da Apple como chamariz para ativação de vendas de um serviço de conteúdo para celular cuja assinatura era semanal. Assim, pessoas que assinassem o serviço ou reativassem sua assinatura concorreriam ao famoso iPad.
Então, na prática, tínhamos ali dois produtos pra vender, o serviço de conteúdo e o tablet. Com o primeiro texto pronto, percebemos que o número de assinaturas estavam abaixo da média. E com isso, alguns problemas foram identificados:
1º Hoje em dia, a maioria dos telefones tem conteúdo gratuito alimentado pelo próprio usuário, uma vez que ele pode pegar sua música preferida e usar como toque, uma foto tirada da câmera do próprio aparelho pra ser usada como wallpaper, além claro, de compartilhar conteúdo com outros telefones através de troca de dados via Bluetooth.
2º O publico da rádio, em sua maioria, não conhecia o iPad. Seu conceito ou sua empregabilidade. Para a maioria do público da rádio, na prática, o aparelho fazia o mesmo que um notebook, mas não era um notebook, tão pouco, sabiam o que era um tablet, logo, não queriam aquilo que nem sabiam o que é.
Para contornar essa situação, teríamos que usar mais que o áudio para vender o produto, fato. Mas não dispúnhamos disso, até pensei e postar um vídeo no site da rádio para que os ouvintes vissem o aparelho em atuação, mas isso não aconteceu.
O iPad é literalmente um produto que é preciso ver pra crer.
Novos textos foram feitos, os testemunhais (textos lidos ao vivo, como uma merchandising que você vê em alguns programas de TV) foram retrabalhados e com isso, tivemos um pequeno aumento nas participações. Mas ela não foi um sucesso. Mas também não foi um fiasco.
Conclusão - O mobile marketing precisa investir em novas estratégias, atualmente apenas ações promocionais com prêmios de alto valor agregado estão gerando retorno. Outra coisa que seria interessante, era a elaboração de uma pesquisa via SMS, grátis, onde o usuário receberia perguntas e enviaria respostas direto do celular. Assim, se criaria uma base de usuários detalhada e a partir destes dados, oferecer conteúdo mais atrativo e relevante pro usuário. Aliás, não sei como ninguém usa o SMS como ferramenta de pesquisa, temos milhões de celulares ativados no Brasil…
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